25 de julho de 2006

iv

- Então boa tarde, obrigado.

E o cumprimento, a despedida, já não era só para a menina com nome de novela sul-americana, não, era também para os outros desgaraçados sentados na napa, encolhidos, entretidos a decorar cada centímetro da gravura esbatida, já descorada e gasta pela pela intensidade dos olhares tristes de quem espera. Podia chamar-se Godot, o sotor, mas parece que é Salvador, com um sufixo familiar, género brito e cunha ou telles de morais ou talvez eu esteja apenas sugestionado pelas revistas que acumulam pó e transpirações debaixo do abat-jour, no canto da sala. Salvador é, tenho a certeza, lembro-me de registar a rima quase poética

- o doutor Salvador esta semana não está, o senhor doutor Salvador

quando uma vez ele de férias e eu aflito, a pensar primeiro que os deuses não deviam tê-las mas depois a condescender, a concordar que toda a gente tem o seu sétimo dia.
A despedida era para todos eles, sim, todos eles, que eu desprezava também, querendo considerar-me diferente, todos eles, que eu desprezava por imaginá-los incapazes de desprezar.

- Adeus, senhor Rodrigo. Cumprimentos à esposa.

5 comentários:

Eduardo disse...

Esta série de postas responde, creio, às tuas dúvidas acerca das razões pelas quais leio este blog(ue).

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